agosto 31, 2004

Abaixo-assinado

As associações que apoiaram a vinda do navio da Women on Waves estão a promover um abaixo-assinado de protesto pelo impedimento da entrada do referido barco em Portugal. O documento, conjuntamente com as assinaturas, será entregue durante uma concentração marcada para amanhã, dia 1 de Setembro, às 18 horas, em frente à a residência oficial primeiro-ministro, em São Bento (ver post abaixo).

Assina e divulga esta iniciativa, cujo texto pode ser assinado aqui.

Com a entrega marcada para amanhã à tarde, há alguma urgência na recolha.
Às 19h30 de hoje, a "versão online" deste abaixo-assinado tinha 790 assinaturas.

Via Grão de Areia

Publicado por vmar em 11:48 PM | Comentários (0) | TrackBack

Portas & Aviões

Além de F14 e submarinos o Portas também queria comprar um porta-aviões.
Perante a tesura que se passeia cá pelo burgo o melhor que o ministro arranjou foi este modelo.
Ei-lo a caminho da base do Alfeite.

PS – se não se estivesse a desperdiçar tanto dinheiro com uma corveta para guardar abortos, talvez tivesse sido possível comprar um modelo que comportasse mais aviões.

Publicado por vmar em 06:38 PM | Comentários (2) | TrackBack

Perguntas parvas (1)

Fui à loja comprar veneno para ratos.
- Tem veneno para ratos?
- Sim! Vai levar?
- Não, vou trazer os ratos para comerem aqui!!!

Fui ao banco para trocar um cheque...
O caixa perguntou :
- Vai levar em dinheiro???
Respondi...
- Não!!!!! Dê-me antes em clipes, borrachas, apara-lápis!!!

Estou abraçado à minha namorada e entramos num bar romântico:
O garçon perguntou:
- Mesa para dois?
- Não, mesa para quatro, duas cadeiras são para apoiar os pés!

Publicado por vmar em 06:24 PM | Comentários (3) | TrackBack

agosto 30, 2004

Quer testar o seu QI (Quoeficiente de Ignorância)?

Tente resolver a questão abaixo...

Um mudo quer comprar uma escova de dentes.
Imitando alguém escovando os dentes, ele consegue se fazer entender pelo vendedor e a compra é realizada com êxito!...

Agora, se tiver um cego querendo adquirir um par de óculos escuros, como ele se deveria expressar para se fazer entender?

Pense no assunto antes de abrir a página com a resposta.

Publicado por vmar em 07:30 PM | Comentários (8) | TrackBack

Fenómenos na água

Como se forma uma parede de água.
Impressionante.

Publicado por vmar em 05:45 PM | Comentários (1) | TrackBack

Tolerância zero

Publicado por vmar em 05:42 PM | Comentários (3) | TrackBack

Interrupção voluntária da gravidez

O governo português interditou a entrada ao Barco do Aborto em Portugal.

«A bem da eficácia deste tipo de bloqueio, aconselho os ditos deputados a fazerem uma espera na Clínica dos Arcos, em Badajoz, que não vêm de barco mas entram todos os dias por Portugal a dentro, através de discretos anúncios amarelos no Público, no Correio da Manhã, e outros jornais, com o intuito de capturar inocentes jovens que querem interromper a gravidez....

....Este pequeno episódio é a máxima da avestruz elevada a uma potência astronómica (quer dizer, a avestruz é nesta história toda a que menos finge que nada está a acontecer; parece que o mito de enfiar a cabeça na areia é uma pura invenção). Fica aqui o apelo: senhores ministros, vão para Badajoz impedir que as Portuguesas entrem nessas clínicas; façam vigílias, caça às bruxas, e outras coisas assim, que a malta já se esqueceu de como é que era....»

in Blogo Social Português

Publicado por vmar em 12:29 AM | Comentários (2) | TrackBack

Jantar bloguista

O grande "Jantar/Encontro" da Blogosfera está a ser organizado pelo Zecatelhado.
Em princípio (faltam ultimar uns retoques ) o evento deverá realizar-se no Restaurante " A VALENCIANA ", na Rua Marquês de Fronteira, em Campolide, pertinho da Penitenciária de Lisboa ( tenham calma que ninguém corre o risco de ir preso, garante o Zeca ), e vai ser mesmo no

Sábado dia 18 de Setembro às 20h


Muitas felicitações ao Zeca pela iniciativa!

Publicado por vmar em 12:23 AM | Comentários (4) | TrackBack

agosto 29, 2004

Abortos versus abortos

Os abortos governamentais levaram a melhor sobre os potenciais abortos que viessem a ser realizados pela organização “Women On Waves”, pelo menos por agora.
Em nome de uma pretensa legalidade, bastante discutível, foi negado um direito fundamental – o direito de livre circulação. A argumentação de ambos os lados vai agora passar por questões jurídicas nacionais e internacionais.

No entanto, o âmago da questão é outro e muito mais importante:
A passar das marcas vai a sem-vergonha e hipocrisia moral de governantes que proíbem a livre circulação, em nome de um pretenso caso de saúde pública, mas que têm levado a cabo uma política que, cada vez mais, restringe o acesso aos reais cuidados de saúde a que toda a população nacional deveria ter direito, segundo a Constituição, política essa traduzida, na prática, pela crescente imposição do principio: quem quer saúde, pague-a. (Pague as radiografias, as análises, os tac`s, os especialistas que não existem nas “caixas”, os dentistas e caríssimos tratamentos dentários, os remédios cada vez menos comparticipados, pague tudo ou fique por aí, desdentado, com dores e mazelas, a morrer devagarinho por falta de dinheiro...).

Voltando à hipocrisia dos políticos e governantes retrógrados que por cá temos, que se saiba não existe qualquer restrição à circulação das mais endinharadas que queiram deslocar-se a Badajoz para, em clinicas particulares, serem sujeitas às práticas que no “Barco do Aborto” são classificadas como ilegais pelas autoridades portuguesas.
Não se compreende, nem revela raciocínio inteligente, que aqueles que rotulam de crime a opção pelo aborto, em nome do direito à vida, não tenham a mesma atitude noutros casos, a guerra por exemplo, e inclusive protagonizem acções de apoio aos beligerantes. É provavelmente em nome de certos “valores morais”, em que os fins justificam os meios!!!

Outro aspecto grave nesta questão é a falta de liberdade: A liberdade de cada um decidir, em última instância, aquilo que julgar melhor para si.
Não se compreende que quem diz combater todas as formas de totalitarismo venha agora impor a sua vontade a terceiros, em nome da sua particular e retrógrada filosofia de vida, baseada em conceitos morais de forte influência religiosa, ditando regras sobre quando e onde começa e acaba a vida humana, sem fundamentação científica, e, por último, arvorando-se em juiz de toda a população.

Num país que se debate com graves problemas económicos era bom que não se desperdiçassem recursos. Os esforços consumidos com os casos em volta deste tema eram certamente muito melhor empregues na luta contra a sida e outras doenças sexualmente transmissíveis. Estas, como muitas outras que infelizmente continuam a contaminar largas camadas da população, são os verdadeiros casos de saúde pública.
Mas tal como um doido nunca se assume, um aborto também nunca se assumirá.....

Publicado por vmar em 10:45 PM | Comentários (2) | TrackBack

agosto 27, 2004

Bush a “solo”

Até parece que foi composta de propósito para o rapazinho.
Ouçamos a música favorita do homem.

Publicado por vmar em 11:37 AM | Comentários (6) | TrackBack

Aceitam cães?

Viajando com o meu cocker spaniel, escrevi antecipadamente ao hotel que me costuma dar guarida em Paris, para saber se podiam acomodar um hóspede de quatro patas.
Eis a resposta:

"Trabalho na indústria hoteleira há mais de 30 anos. Até agora nunca precisei de chamar a polícia para expulsar um cão que promovesse distúrbios até altas horas da noite. Até hoje nunca vi um cão pôr fogo na roupa da cama por adormecer com um cigarro na mão. Nunca encontrei uma toalha ou um cobertor do hotel na mala de um cão, nem manchas deixadas nos móveis pelo fundo da garrafa de um cão.
Está claro que aceitamos o seu cão."

PS: Se ele se responsabilizar pelo senhor, venha também.

Publicado por vmar em 11:31 AM | Comentários (7) | TrackBack

agosto 26, 2004

Bush & Kerry

Bush & Kerry na luta pelo poder.

(Pode levar um bocadinho a carregar mas vale a pena a demora)

Publicado por vmar em 07:14 PM | Comentários (4) | TrackBack

agosto 25, 2004

No confessionário....

- Sr. Padre, eu pequei. Fui seduzido por uma mulher mais velha...
- E com quem estivestes tu?
- Padre, eu já disse o meu pecado. Se ela quiser que confesse o dela...
- Repara, Carlitos, mais tarde ou mais cedo eu vou saber, assim é melhor que mo digas agora. - Foi a Isabel Fonseca???
- Os meus lábios estão selados.
- A Teresa Garcia???
- Por mim, jamais o saberá...
- Ah! A Maria José???
- Não direi nunca!!!
- A Rosa do talho???
- Padre, não insista!!!
- Então foi a Catarina da pastelaria, não???
- Padre, isto não faz sentido....
O Padre rói as unhas desesperado e diz-lhe então:
- És um cabeça dura, mas no fundo do coração admiro a tua reserva. Vais rezar vinte pai-nossos e dez ave-marias... Vai com Deus, meu filho...
Carlitos sai do confessionário e vai para os bancos da igreja. O seu amigo Pedrito desliza para junto dele e sussurra-lhe:
- E então??? Resultou???
- Sim. Já Tenho cinco nomes de gajas que dão umas baldas!!!!!

Publicado por vmar em 12:33 AM | Comentários (5) | TrackBack

agosto 22, 2004

Não basta ter a matéria prima.....

......há que saber aproveitá-la.

Remador português brilha pela Itália

BRUNO Mascarenhas, português e praticante de remo, qualificou-se para a final olímpica de hoje de «Shell 4 Lightweight»... pela Itália.
Campeão mundial de juniores por Portugal em 1999, o que significou a primeira medalha lusa numa competição internacional nesta modalidade, Bruno Mascarenhas acabaria por se naturalizar italiano em 2001, em ruptura com a Federação Portuguesa de Remo.
Em 2002, já integrado numa equipa transalpina, ganhou uma medalha de prata no Mundial e, no ano seguinte, conquistou uma de bronze - resultados que a Itália não alcançava desde 1995. Por este país, conseguiu agora um lugar na final de Atenas.
O atleta, de 23 anos, começou a praticar a modalidade em Roma, em 1990. Em 2001, após uma série de divergências com a Federação Portuguesa de Remo, agravadas com a entrada em funções de um treinador polaco «que não falava português», rompeu com a Federação e naturalizou-se italiano.
in Expresso

Mais detalhes desta história poderão ser lidos em Italianos ao ritmo português.

Publicado por vmar em 06:37 PM | Comentários (5) | TrackBack

Até parece anedota

Vinte e oito anos à espera de uma linha telefónica

Em 1976 George Titianu, um cidadão romeno de Suceava, no norte do país, fez o pedido de instalação de uma linha telefónica. Recentemente recebeu a resposta da operadora "Romtelecom". Numa carta que lhe é endereçada, George Titianu é informado que, 28 anos depois de fazer o pedido, "não há linhas disponíveis". Na carta acrescentavam que a empresa mantinha, contudo, o seu pedido e pediam-lhe ainda para preencher um formulário anexo. A isto Titianu respondeu: "Sinto-me honrado que não me tenham esquecido durante estes 28 anos, mas entretanto casei, sou pai de filhos e até já consegui uma linha telefónica na minha nova casa."

Publicado por vmar em 06:23 PM | Comentários (2) | TrackBack

agosto 20, 2004

A fábula do ano

Um comandante de um navio ordenava aos seus marinheiros que remassem, remassem porque na altura havia pouco vento e logo, logo, iriam parar a um bom porto. O vento estava quase a mudar e a rota seria rápida, acrescentava ele.
Os passageiros já desesperavam, sem água e com pouca comida, mas o comandante continuava a garantir que a terra já estava perto e que lá havia grandes riquezas para todos.

Alguns pescadores a bordo, que conheciam os ventos daquela altura do ano e naquela rota, desconfiavam que o rumo não estava a ser o mais correcto, que os ventos tardariam a aparecer e soprar para terra, mas o comandante acusava-os de tentarem desestabilizar a tripulação e passageiros e de tais acusações não passarem de manobras para lhe usurparem o posto de comandante do navio. E voltava a afirmar que estava seguro do que estava a fazer e que já sentia uma pequena brisa. E não se cansava de repetir que aqueles que tentassem agitar os passageiros seriam prejudiciais a todos os embarcados e, inclusive, punham mesmo o navio em risco.
Entretanto, os marinheiros mais fieis tiveram aumento de ração e viviam tempos muito animados.

Então, uma bela manhã passa um iate luxuoso, movido a potente motor, e alguém de lá disse que havia um lugar vago para comandante do iate. O comandante do velho navio respondeu que ia pensar em arranjar alguém competente para mandar para o iate. Foi então ao seu camarote e fez as malas sem dizer nada a ninguém. No dia seguinte, de manhã muito cedo, quando os outros ainda estavam a dormir, saltou para o bote e remou para o iate que o esperava um pouco mais avante.

Depois de estar bem seguro a bordo no iate, gritou para o seu barco e disse:
- Olhem lá, eu, para bem de todos vós, vou embarcar neste iate. O vosso novo comandante passa a ser o meu imediato. Vai ser uma honra para todos vós eu ser o novo comandante deste lindo iate. Estou muito honrado e muito feliz por me terem aceite.
Alguns marinheiros, das relações próximas do comandante, ficaram furiosos, mas outros, com os olhinhos gulosos a brilhar, começaram logo a preparar-se para tomarem e distribuírem os lugares de comando entre eles.

E lá se despediu:
- Tchausinho e boa viagem para todos. Tenham muita sorte. Vê-mo-nos daqui a cinco anos.
E lá foi o grande comandante....

Autor desconhecido (revisto por moi-même)

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agosto 19, 2004

Herança feminina

As mulheres lutam pela igualdade de direitos....
As mulheres lutam pela igualdade de oportunidades....
As mulheres lutam pela igualdade de ......
Mas a luta é difícil....
A herança é longa e pesada....

"Mesmo que a conduta do marido seja censurável, mesmo que este se dê a outros amores, a mulher virtuosa deve reverenciá-lo como a um deus.
Durante a infância, uma mulher deve depender do seu pai, ao casar-se do seu marido, se este morrer, dos seus filhos e se não os tiver, do seu soberano. Uma mulher nunca deve governar-se a si própria"

Leis de Manu (Livro Sagrado da Índia)

"A mulher que se negar ao dever conjugal deverá ser atirada ao rio."
Constituição Nacional Sumeria (Civilização Mesopotâmica, século XX A.C.)

"Quando uma mulher tiver conduta desordenada e deixar de cumprir suas obrigações do lar, o marido pode submetê-la à escravidão. Esta servidão pode, inclusive, ser exercida na casa de um credor do seu marido e, durante o período em que durar, é licito a ele (marido) contrair novo matrimonio"
Código de Hamurabi (Constituição Nacional da Babilónia, outorgada pelo rei Hamurabi, que a concebeu sob inspiração divina, século XVII A.C.)

"A mulher deve adorar o homem como a um Deus. Toda manhã, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e, de braços cruzados, perguntar-lhe: Senhor, que desejais que eu "faça?"
Zaratustra (filósofo persa, século VII A.C.)

"As mulheres, os escravos e os estrangeiros não são cidadãos"
Péricles (político democrata ateniense, século V A.C. um dos mais brilhantes cidadãos da civilização grega)

"A mulher é o que há de mais corrupto e corruptível no mundo."
Confúcio (filosofo chinês, século V A.C.)

"A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior."
Aristóteles (filosofo, guia intelectual e preceptor grego de Alexandre, o Grande, século IV A.C.)

"Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar. Se querem ser instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos"
São Paulo (apostolo cristão, ano 67 D.C.)

"Os homens são superiores às mulheres porque Alá outorgou-lhes a primaz ia sobre elas. Portanto, dai aos varões o dobro do que dai as mulheres. Os maridos que sofrerem desobediência de suas mulheres podem castigá-las: deixá-las sós em seus leitos, e até bater nelas. Não se legou ao homem maior calamidade que a mulher."
Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos, escrito por Maomé no século VI, sob inspiração divina)

"Para a boa ordem da família humana, uns terão que ser governados por outros mais sábios que aqueles; daí a mulher, mais fraca quanto ao vigor da alma e força corporal, estar sujeita por natureza ao homem, em quem a razão predomina. O pai tem que ser mais amado do que a mãe e merece maior respeito porque a sua participação na concepção é activa, e a da mãe, simplesmente passiva e material."
São Tomas de Aquino (italiano, um dos maiores teólogos católicos da humanidade, século XIII)

"Inimiga da paz, fonte de inquietação, causa de brigas que destroem toda a tranquilidade, a mulher é o próprio diabo."
Petrarca (poeta italiano do Renascimento, século XIV)

"Quando um homem for repreendido em público por uma mulher, cabe-lhe o direito de derrubá-la com um soco, desferir-lhe um pontapé e quebrar-lhe o nariz para que assim, desfigurada, não se deixe ver, envergonhada de sua face. E é bem merecido, por dirigir-se ao homem com maldade de linguajar ousado."
Le Menagier de Paris (Tratado de conduta moral e costumes de França, século XIV)

"O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia."
Lutero (teólogo alemão, reformador protestante, século XVI)

"As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não tem capacidade para efectuar negócios".
Henrique VII (rei da Inglaterra, chefe da Igreja Anglicana, século XVI)

"Enquanto houver homens sensatos sobre a terra, as mulheres letradas morrerão solteiras."
Jean-Jacques Rousseau (escritor francês, precursor do Romantismo, um dos mentores da Revolução Francesa, século XVIII)

"Todas as mulheres que seduzirem e levarem ao casamento os súbditos de Sua Majestade mediante o uso de perfumes, pinturas, dentes postiços, perucas e recheio nos quadris, incorrem em delito de bruxaria e o casamento fica automaticamente anulado."
Constituição Nacional Inglesa (lei do século XVIII)

"A mulher pode ser educada, mas a sua mente não é adequada às ciências mais elevadas, à filosofia e algumas das artes."
Friederich Hegel (filosofo e historiador alemão do século XIX)

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agosto 17, 2004

Sentença de outros tempos

Um advogado de Maceió (AL) envia cópia de original sentença, proferida no Estado de Sergipe em 1833. O caso trata de uma acusação de atentado violento ao pudor. O missivista garante a autenticidade da peça e indica que o original dela está guardado no Instituto Histórico de Alagoas. Leia o texto:

«O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de tocaia em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimonio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.

Considero:

Que o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ella e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;

Que o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer; conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas;

Que Manoel Duda é um sujetio perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

Condeno o cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser capado, capadura que deverá ser feita a macete. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa. Nomeio carrasco o carcereiro.

Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos

Manoel Fernandes dos Santos, Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha (Sergipe), 15 de Outubro de 1833.

NR: como diz o anúncio – “a tradição já não é o que era!

Publicado por vmar em 07:17 PM | Comentários (9) | TrackBack

Al-Gharb (5)

Nos textos anteriores sobre o tema Al-Gharb poderá ter ficado a ideia que a finalidade dos mesmos era a critica destrutiva e gratuita ao Al-Gharb. Nada de mais errado. Não sou algarvio mas tenho uma forte ligação ao Algarve por a família da minha mulher ser desta região e lá ir periodicamente. Apenas extravasei o meu sentimento de angustia, de revolta e de impotência perante o estado desta região. Dói-me ver um local que poderia ser transformado num paraíso – acessível ao português economicamente médio - caminhar para a degradação, apenas matizada por alguns óasis, mas esses, toda a gente sabe, são coutada de multimilionários.

Alguns dos dramas que já se vivem no Algarve, em resultado dos atentados ao ambiente, de gestões deficientes e não só - outros, talvez ainda mais graves, estão para vir - devem-se essencialmente à ganância de lucros rápidos e chorudos e à irresponsavel mentalidade do Homem, mais virado para o fácil e imediato, tão ao estilo do tipico “desenrasca-se agora e depois logo se vê”, avesso à planificação fundamentada e investimentos profissionais sérios a médio e longo prazo, aliado ao espírito individualista do “cada um que se safe e o resto que se lixe e o último a sair que apague a luz”.

Infelizmente, este tipo de mentalidade está longe de ser exclusivo do Algarve, antes me parece ser característica muito comum dos portugueses, de norte a sul. Já agora, uma das questões que me deixa perplexo é a seguinte: as qualidades do trabalhador português são enaltecidas no estrangeiro e estão no topo das preferencias estrangeiras, no entanto o inverso passa-se a nível interno e, dizem as estatísticas, o nosso índice de produtividade é muito baixo quando comparado com a média europeia. Talvez a resposta para essa contradição, ainda que ninguém o queira reconhecer, não esteja tanto nos trabalhadores mas mais na deficiente organização do trabalho e nos desmotivadores e magros salários praticados em Portugal. Também penso que outro aspecto muito importante na base da falta de competitividade da economia nacional diz respeito à falta de preparação e visão de negócio dos nossos empresários/gestores, mas esse é um assunto que não quero agora abordar.

Voltando à questão da mentalidade e maneira de estar na vida que fazem com que o nosso desenvolvimento económico e cultural pouco tenha evoluído nas últimas décadas, pelo menos em comparação com os nossos vizinhos europeus e, sem querer ir mais longe, com nuestros hermanos, cito um exemplo muito elucidativo:
Há quase vinte anos, a pesca algarvia sofreu algumas restrições, devido à nossa entrada na CEE (era assim que chamava na altura), levando a que muitas famílias ficassem sem o ganha pão. Mas algo semelhante aconteceu aos nossos vizinhos espanhóis. No entanto, a abordagem ao problema foi completamente diferente dos dois lados da fronteira. Enquanto em Portugal as populações ficaram a chorar, clamando pela solidariedade nacional e por subsídios à inactividade, os espanhóis arregaçaram as mangas e reconverteram a actividade profissional. Dedicaram-se, nomeadamente, ao cultivo do morango. Em poucos anos tornaram-se no maior produtor europeu de morangos e actualmente é impressionante a quantidade de camiões que, em tempo de apanha do morango, atravessa diariamente as fronteiras espanholas para colocar o fruto nos mercados europeus. Convém referir que, em Espanha, ao contrário do que por cá acontece, a apoiar uma agricultura desenvolvida estão associações de produtores bem organizadas que executam a recolha, tratamento, embalagem e escoamento dos morangos. Um exemplo a merecer atenção por parte dos nossos agricultores.

Contudo, os problemas estruturais do turismo algarvio são vários, a que a recente debilidade económica dos turistas ajudou a agravar. Mas há situações, como esta que o João Pereira aflora, que ultrapassam a vertente económica e que não são tão pontuais como parecem. Por outro lado, a aguerrida concorrência do outro lado da fronteira (Islantilla ou Matalascañas, por exemplo), a poucos quilómetros de Portugal, já começa a provocar algum estrago em terras de Al-Gharb.
Penso que todas as questões associadas ao turismo deveriam merecer uma profunda reflexão, por parte dos industriais, comerciantes e autoridades locais.
A continuar assim, o Al-Gharb, arrisca-se a posicionar-se, tal como Portugal dentro UE (UE dos quinze), na cauda do turismo europeu.

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agosto 11, 2004

Estou farto de ser roubado

Nos últimos quatro anos foram adquiridos pela informática da administração fiscal, aplicações informáticas e serviços externos no valor de perto de 140 milhões de Euros. Estes investimentos realizados não se têm traduzido, até ao momento, em resultados visíveis no combate à fraude e evasão fiscais.
Não se sabe o que o fisco adquiriu, a quem, a que preço, como, e se os produtos já estão em funcionamento – o fisco não informa. A única novidade recente foi a informação de que uns quantos milhares de contribuintes não tinham entregue o anexo “J”, uma singularidade para muitos deles.
A única coisa que se sabe é que a evasão fiscal é o pão nosso de cada dia e que a fiscalização continua extremamente deficiente - ou então os resultados andam no segredo dos deuses. Na dúvida, veja-se a taxa efectiva de IRC paga pelas empresas nacionais, nos últimos anos. Segundo vários estudos, o peso da chamada "economia paralela", aquela que não é contribuinte fiscal, atinge um peso escandalosamente alto, quando medido em percentagem do PIB nacional - a situação mantém-se há muito, sem que sejam visíveis quaisquer medidas energéticas para acabar com a situação. Na verdade, sabe-se mais uma coisa: as receitas do Estado continuam a ser inferiores às despesas. E na prática, o grande combate levado a cabo nos últimos anos, incidiu sobre as despesas, quando a receita deveria ter tido um tratamento no mínimo igual.
Talvez a abordagem à fuga fiscal não tenha sido levado a cabo da forma mais eficaz. Talvez se tenha procurado um sistema capaz de detectar quase tudo, e portanto lento e pesado, quando um mais simples e dirigido a pequenos objectivos, certamente seria mais rápido e eficiente. Por outras palavras, se um sector previamente seleccionado fosse “atacado” em força pelo fisco, e com resultados visíveis, serviria de estimulo a toda a máquina fiscal e de aviso a todos aqueles que tradicionalmente fogem ao fisco. A pouco e pouco a malha estender-se-ia a todos os sectores da economia. Não me parece complicado identificar empresas que, nos últimos quatro ou cinco exercícios apresentaram prejuízos sucessivos, e que continuam a laborar. O mesmo se passa em relação a determinadas classes profissionais que, apresentam receitas liquidas que nem dão para matar a fome. Estes são dois pequenos exemplos para ilustrar o raciocínio. Aliás, se a administração fiscal consegue convergir, há anos, o valor dos imóveis aos preços de mercado – aqui a grande questão era que os mesmos não sofriam uma avaliação periódica, para não falar dos milhares que não estavam cadastrados informaticamente – não se percebe porque não faz o mesmo aos diversos sectores económicos.
E este é um sector vital da governação, pelo equilíbrio que pode exercer nas contas do Estado, dado que as despesas têm um limite inultrapassável.
A justiça fiscal, além de um dever constitucional, é um valor essencial na moral de um Estado e dos seus cidadãos.
De outra forma, e usando a gíria popular, este Portugal “não passa de uma república das bananas, onde cada um rouba conforme pode”.
Ora o Estado é constituído por todos nós, que delegamos nuns quantos, a tarefa de conduzir os assuntos nacionais. Logo quando estão a roubar o Estado, estão a roubar-me a mim. E eu estou farto de ser roubado.....

Publicado por vmar em 06:21 PM | Comentários (15) | TrackBack

agosto 10, 2004

Prodígios da ciência

Num congresso médico, depois das conferências do dia, os colegas encontram-se no bar do hotel. Alguns contam suas últimas conquistas.
O Australiano começa:
- Tivemos um fulano que foi atropelado por uma jamanta e a única coisa intacta que tínhamos era seu dedo mindinho. A nossa equipa conseguiu, pelo DNA, refazer a mão, um novo braço, um novo corpo! O paciente ficou tão bom, que, de volta ao trabalho, tirou o emprego a cinco pessoas!
O Americano diz:
- Isso não é nada! Nós tivemos o caso de um operário que caiu no reactor atómico de uma central nuclear! A única coisa que sobrou foi um tufo de cabelo. Pelo DNA conseguimos reconstituir seu corpo todo, completinho. Depois de ter alta, esse sujeito mostrou-se tão eficiente que cinquenta pessoas perderam o emprego!
O Português pede a palavra:
- Olha, o caso que vou contar é muito mais interessante. Um dia estava andando pelo corredor do hospital e senti o cheiro de um peido. Imediatamente, capturei-o num saco de plástico, que levei para o laboratório. Chamei minha equipa e começamos a trabalhar. Primeiro, a partir do peido, fizemos um ânus, em seguida reconstituímos o intestino, e depois, pouco a pouco, todo o corpo. O projecto desta criatura levou o nome de Bagão Felix e teve um desempenho tão fantástico que, quando começou a trabalhar, meio milhão de pessoas perderam o emprego!

Publicado por vmar em 10:09 PM | Comentários (5) | TrackBack

Época de saldos

Abriu a época dos saldos.
Uma boutique cá do bairro apresenta o soutien mais barato do mercado.
O preço é inacreditável.
Meninas, madames e afins - é só escolher o número e a côr do soutien.

Publicado por vmar em 12:38 PM | Comentários (14) | TrackBack

Al-Gharb (4)

Antigamente, era ponto assente que as “novidades” vinham do Algarve.
As “novidades” eram aquelas primeiras frutas e legumes que chegavam às praças e mercados, aparecidas no início da estação, e que tanto gosto nos dava comer depois de meses em que não existiam à venda (Agora, como toda a gente sabe, há sempre de tudo todo o ano, haja ele dinheiro, claro...)
O tempo forte das “novidades” era a Primavera – eram as ervilhas, as favas, os figos, as meloas e mais um ror de coisas. Beneficiando do característico clima ameno do sul, chegavam as frutas e legumes que o centro e o norte só conseguiam pôr no mercado algum tempo mais tarde. O Algarve também era famoso por ser um dos grandes centros produtores do figo, da amêndoa e da alfarroba. As amendoeiras em flor eram quadro típico da zona e não se resumiam a uma mera lenda mourisca. Mas o Algarve também era terra de belas e saborosas laranjas. Recordo com saudade, em tempos que já lá vão, as primeiras viagens que fiz para o Algarve com a Ana, de comboio, para irmos lá passar a Páscoa. Depois de Faro, a gente abria a janela, punha a cabeça de fora e aspirava aquele odor maravilhoso e inconfundível das laranjeiras em flor vindo dos inúmeros pomares. Simplesmente magnifico.
Mas o Algarve não vivia só da terra. O atum, o polvo, a sardinha e diversas outras espécies de peixes eram produtos muito importantes na economia algarvia. As conserveiras chegaram a ser líder da industria local.
Este Algarve, que tenho estado para aqui a falar, já não existe.

No início dos anos sessenta uma nova indústria desabrochou em terras algarvias – o turismo.
Passado pouco mais de quarenta anos podemos afirmar que esta industria mudou quase radicalmente o Al-Gharb e as suas gentes.
O peso da agricultura e da pesca descresceu fortemente a favor do turismo e do comércio complementar a esta actividade. Perderam-se milhares de laranjeiras, amendoeiras, alfarrobeiras e figueiras. Algumas variedades de optimas frutas desapareceram, como as meloas “ognas” (não sei se é assim que se escreve...), com um sabor digno dos deuses do Olimpo, segundo os “entendidos” por não terem procura nos mercados europeus para onde eram exportadas. Nota: esta do desaparecimento das meloas “ognas” não perdoo a ninguém. Porra, é que eram mesmo divinas!
Com a chegada dos turistas, quase toda a gente, em maior ou menor escala, procurou tirar proveito deste maná que tinha caído do céu repentinamente. Assim, mais importante que cuidar das laranjeiras ou cultivar melões ou feijão verde para venda, passou a ser alugar a própria casa ou parte dela, para férias, nos quatro meses de Verão. Quartos, anexos, arrecadações - algumas destas habitações, em más condições, nem sanitários possuíam -, tudo servia para alugar e fazer dinheiro fácil, tal a procura, quase sempre pouco exigente dado o elevado preço dos hotéis da zona e o número restrito de parques de campismo. E com a procura a subir de ano para ano, o preço do aluguer começou a subir exponencialmente em cada Verão que passava.

O betão que invadiu a paisagem algarvia alterou completamente a paisagem, e não só, de toda a orla costeira. Com algumas excepções, o equilíbrio da natureza foi completamente destabilizado e hoje já se fazem sentir as consequências dalguns dos graves danos cometidos.
Em busca de água, o seco Al-Gharb foi furado um pouco por todo lado tornando-se no maior “coador” existente em Portugal. Águas salgadas e insalubres invadiram muitos lugares, inutilizando-os, sem serventia sequer para a agricultura. Os cursos naturais de água foram alterados e, no inverno, já têm acontecido algumas situações dramáticas. Muitas zonas de dunas e de arriba estão em perigo perante a acção inconsciente do homem. Em virtude da inexistência ou do deficiente saneamento básico, muitas zonas balneares algarvias estão a ficar progressivamente poluídas ainda que a constatação de tal facto – se nada se fizer - só seja visível daqui a uns anos.
Enfim, com a chegada do turismo ao Algarve, uns mais outros menos, mas toda a gente pareceu apostada em retirar os mais rápidos e fáceis benefícios da situação... esquecendo, muitas vezes, que nem sempre o que é fácil e rápido se revela o mais adequado a médio e longo prazo.
A ver vamos... Pode ser que algum D. Sebastião apareça...

Publicado por vmar em 10:20 AM | Comentários (6) | TrackBack

agosto 09, 2004

Morte no deserto

Um padre e uma freira viajavam pelo deserto, quando de repente deu uma "solipampa" no camelo e ele morreu. Ficaram os dois, no meio do deserto, na companhia de um sol abrasador. Então a freira teve uma ideia:
- Padre, tiremos as nossas roupas para que com elas possamos fazer um abrigo!
- Óptima ideia, irmã!
Ficaram os dois pelota, debaixo da tenda improvisada. E ficaram a olhar um para o outro. O padre, cheio de desejos na cabeça, apontou para o meio das pernas da irmã e perguntou:
- Irmã, o que é isso?
A freira:
- São coisas mortas!
Então foi a vez da irmã apontar para o meio das pernas do padre e perguntar:
- Padre, o que é isso aí?
- É um ressuscitador de coisas mortas, irmã!
Acendeu-se um brilho no olhar da irmã, e ela disse entusiasmada:
- Jura, padre?
- Sim, irmã.
- Então padre, ressuscita o camelo !!!!!

Publicado por vmar em 07:27 PM | Comentários (9) | TrackBack

agosto 08, 2004

Estamos a matar a galinha dos ovos de ouro?

«...."Muitas pessoas estão a matar a galinha dos ovos de ouro porque praticam preços para níveis de oferta que não temos. Uma refeição, no Verão, é paga a preço de ouro e isso não pode acontecer. Alguns acusam o Sudoeste de afastar pessoas, mas a curto prazo será a manutenção de situações semelhantes que as afastará e isso tem que ser repensado", diz o Presidente da Câmara de Odemira.
....praticam-se preços exorbitantes por refeições e, ao nível das dormidas, vale tudo. O consumidor paga muito por pouco. E é a própria população que o reconhece. "Existe gente por aí a alugar quartos nesta altura do festival, sem o mínimo de condições, a preços que eu sei lá", diz Arminda Varia, enquanto nos serve um café. "Toda a gente quer fazer negócio nesta altura a qualquer preço"....»
in Festival Sudoeste Solidifica-se no Litoral Alentejano

Porque é que queremos ganhar num dia, o seria justo arrecadar em vários dias?
Será que vale tudo nesta terra?
Ou será que passámos a seguir o exemplo de alguma classe política?

Podemos ser os últimos em todas as tabelas da UE mas, a pedir dinheiro, estamos no top e ninguém nos bate!

Publicado por vmar em 09:14 PM | Comentários (11) | TrackBack

Turismo à borla

«...Porque, de duas uma: ou é mesmo indispensável que os deputados viajem em executiva para preservarem a sua imagem e estatuto, o que não se discute, ou esta distinção é irrelevante e, em consequência, todas as suas viagens devem ser feitas em classe turística. O que não é sério nem admissível é o Estado disponibilizar-se para pagar viagens de turismo a acompanhantes dos deputados....»
in O Regresso das "Viagens-fantasma"

Depois admiram-se por Portugal ser classificado como uma “República das Bananas”.

Publicado por vmar em 06:29 PM | Comentários (5) | TrackBack

agosto 07, 2004

Pulo do Lobo

Há coisas que se adiam “sine die”, umas vezes por razões imprevistas, outras sabe-se lá porquê. Há vários anos que andava para visitar este lugar. Este ano decidi que iria finalmente conhecer o Pulo do Lobo. Para tal bastava um desvio, não muito grande, quando rumasse a terras do Al-Gharb, desde que usasse o corredor Lisboa - Castro Marim com passagem por Beja e Mértola.
O Pulo do Lobo é uma zona do Guadiana, situada a alguns quilómetros a norte de Mértola, onde o rio estreita de tal maneira que quase se passa num pulo. Dizem as lendas e as histórias dos antigos que os lobos, e não só, usavam este lugar para passar de uma margem para a outra do Guadiana. Ligado a este lugar contam-se também inúmeras historias de contrabando e contrabandistas onde, provavelmente, factos reais se aliam à imaginação fértil das gentes locais.

O melhor trajecto, para quem vem de sul pela EN122, é virar à direita, meia dúzia de quilómetros depois de Mértola, na direcção de Corte Gafo de Cima. Outra hipótese é, para quem vem de norte pela EN122, a partir de Beja, cortar à esquerda, perto do entroncamento com EN123. Prepare-se para percorrer cerca de 20 a 30 Km por estradas e caminhos secundários, conforme se vem de norte ou de sul. Em Amendoeira, a estrada de alcatrão termina e começa o estradão de terra batida, em péssimo estado de conservação. São cerca de uma dezena de quilómetros até chegar ao rio. Apesar disso e de ter que fazer novamente o mesmo trajecto de volta, a viagem vale a pena e o sitio merece bem o desvio.

As cascatas naturais do Pulo do Lobo ficam no Parque Natural do Guadiana. Este parque, em contraste com a seca planície alentejana, é quase um pequeno oásis, com mata mediterrânica e cursos de água, e claro, o Guadiana. Aqui o rio é totalmente diferente do Guadiana de Badajoz ou de Vila Real de Santo António.
Inacreditavelmente existe muito pouca informação sobre o Pulo do Lobo e onde obtive dados mais precisos, inclusive um mapa da zona, foi num site alemão – é espantoso como os estrangeiros parecem promover melhor as nossas maravilhas naturais.
No acesso a este ponto do Guadiana atravessámos inúmeras reservas de caça. Pudemos observar durante toda a viagem mais de duas dezenas de bandos de perdizes. Confesso, eu que não sou caçador, que nunca na minha vida tinha visto tanta perdiz.
Finalmente, chegamos ao Pulo do Lobo depois de uma viagem com muito pó, por caminhos desertos onde não encontramos vivalma.
Do alto do monte, a panorâmica geral faz-nos perceber rapidamente o porquê do nome. Trata-se de um estrangulamento geológico natural, onde o rio Guadiana se comprime. O que acontece é que o rio passa, de repente, dos cerca de 25 metros de largura para três metros e, como consequência, o rio aperta-se e a corrente acelera. (A existência, bem visível, de uma ponta de rocha a meio destes três metros, faz-nos crer que a passagem “a salto” é perfeitamente possível para quem não tiver medo das águas revoltas).
Depois assistimos à água a saltar sobre uma cascata com mais de 15 metros de altura e que seguidamente forma uma enorme lagoa natural. O local é de uma grande beleza selvagem, um autêntico brinde da natureza, com um silencio só cortado pelo barulho das águas revoltosas.

No sítio não existe nenhum equipamento de apoio ao visitante, tirando umas duas mesas de pedra. Aliás, o Pulo do Lobo aparenta ser bastante desconhecido pelos nossos compatriotas. É certo que os acessos não facilitam a divulgação do local – mete dó usar um carro, especialmente se for novinho, que não seja um de tracção às quatro rodas, tal o estado da esburacada terra batida.
Mas o local é magnifico o que torna a situação muito estranha.
Direi mais...... situação muito estranha.... existir assim, tão solitariamente ignorado, um recanto com tanta beleza natural.
Na minha opinião, este é um lugar de visita obrigatória que deveria constar em todos os guias turísticos de Portugal. E, claro, ter uma estrada decente que a ele conduzisse.

Publicado por vmar em 06:52 PM | Comentários (11) | TrackBack

agosto 06, 2004

Al-Gharb (3)

O Algarve tens condições naturais excelentes. O clima e as praias são certamente do melhor que há em toda a Europa, para não ir mais longe. Mas as condições de desenvolvimento e as infra-estruturas criadas para os turistas e população local é que não são as melhores, com excepções, é claro. É triste ver desperdiçar condições naturais fabulosas e não tirar delas o melhor partido.
Quem se desloca pela costa sul de Espanha – e eu conheço-a quase palmo a palmo, da Isla Canela à fronteira com França - nota uma grande diferença nas condições criadas nas praias espanholas quando comparadas com as nossas.

Ponto de honra da maioria das praias espanholas é ter um passeio que ladeia o areal e onde poderão ser encontrados mais ou menos equipamentos de lazer e/ou estabelecimentos comerciais. Outro equipamento obrigatório em tudo quanto é praia ou prainha espanhola é a existência de chuveiros e lava-pés. Neste aspecto, no Sotavento, e exceptuando talvez Monte Gordo, nada ou pouco existe.
A limpeza das praias, durante a noite, também merece, em Espanha, atenção cuidada – tractores filtram mecanicamente as areias retirando-lhe os lixos acumulados durante o dia e aspergindo-as, nalguns lugares, com produtos desinfectantes e antimicrobianos. Em Portugal, a limpeza da maioria das praias algarvias é feita – quando é, claro - às três pancadas.
Este ano, na praia da Manta Rota, depois da passagem do Levante (vento quente do sul/leste que origina mar revolto com ondas altas) acumulou-se uma quantidade anormal de algas na areia. Alguns habitantes locais afirmaram não recordar uma coisa assim nos últimos trinta anos. Teria sido uma tarefa relativamente simples e rápida proceder, de imediato, à remoção das algas mas desconfio bem que só os protestos enérgicos de turistas e comerciantes locais levaram as autoridades a proceder à sua recolha. E assim, durante três dias, uma camada de algas que, nalguns pontos, atingia o meio metro de altura, infestou o areal da conhecida e turística praia da Manta Rota com um cheiro pestilento a que se juntou mosquitos e outros insectos.
Outra diferença que salta à vista nas praias destes dois países, Portugal e Espanha, diz respeito ao numero de recipientes para lixo existentes nas praias – muitas das nossas nem um têm ou então está cheio ou danificado.

O rol das diferenças entre as praias lusas e as da Andaluzia, Catalunha ou as Valencianas, sem esquecer as da pequena Comunidade de Murcia, infelizmente e para nossa vergonha, é extenso. E, espantosamente, as nossas praias, a nível de condições naturais, em nada ficam a dever às espanholas. Pelo contrário, muitas até são bem melhores, largas e espaçosas, com areia branca e fina, enquanto por Espanha são frequentes as areias negras, ásperas e desagradáveis e as praias pedregosas e estreitinhas.
Mas, com tristeza o digo, os espanhóis que, à partida, tem condições naturais piores, conseguem apresentar um produto melhor e mais agradável à vista e, na maior parte dos casos, a melhor preço. Mas esse é assunto a desenvolver noutro post...

Publicado por vmar em 07:21 PM | Comentários (9) | TrackBack

Al-Gharb (2)

Uma das mais valias do sotavento algarvio é a proximidade a Espanha.
Se, em tempos, a viagem não era fácil – a única alternativa para atravessar o rio Guadiana era o barco, com carreiras entre Vila Real de Stº António e Ayamonte - hoje a mesma não oferece qualquer dificuldade. Uma moderna ponte liga as duas margens.
Antes, exceptuando as pessoas que estavam de passagem para locais mais longinquos, era raro ir-se mais além de Ayamonte, devido à enorme dificuldade que significava o transporte do carro no barco.
Agora, localidades e terras dos dois países, ainda que afastadas algumas dezenas de quilómetros, unem-se em pouco tempo graças à ponte sobre o rio Guadiana e às vias rápidas que a ligam. A facilidade com que se vai de Vila Real de Stº António a Faro, usando a Via do Infante (A22), é a mesma que nos leva a Huelva usando a Auto Pista.
Como em tudo, há o reverso da medalha: o comercio local nas duas margens do Guadiana ressentiu-se fortemente, com especial incidência para o lado português – os espanhóis, com outra mentalidade, rapidamente arranjaram novas alternativas.
Longe vão os tempos em que um corrupio de pessoas debandava as duas margens num incessante movimentos de gentes e mercadorias, muitas delas passadas sob o disfarce e as artes do contrabando.
Mas não eram só portugueses e espanhóis que coloriam as ruas de Vila Real de Stº António. Turistas de outras nações que, a partir do sul de Portugal, procuravam Espanha (como destino ou mera travessia para outros países) faziam desta terra ponto obrigatório de passagem. O movimento era tanto que filas de carros com quilómetros de comprimento, na marginal de Vila Real de Stº António, a Av. da República, era coisa trivial nos meses de Verão. A agravar as dificuldades, entre a meia-noite e tal / uma da manhã (não me recordo bem) e as seis ou sete da manhã, o movimento de barcos sofria um interregno. Assim, não foram poucos os veraneantes que tiveram de fazer uma dormida forçada dentro ou fora das viaturas à espera de vez no próximo barco.

Se, em tempos que já vão longe, no tempo em que a peseta valia muito pouco, os espanhóis viviam mal relativamente aos portugueses, há muito que a situação se inverteu. A paisagem, o tipo de casas, o clima, a cor, os cheiros são similares de ambos os lados da fronteira mas uma observação mais atenta e minuciosa mostra que há algo de diferente. Não é só o som alto e o matraquear rápido das palavras em castelhano que brotam das bocas e ecoa pelas ruas, não é só aquela extroversão e alegria que parecem fazer parte da maneira de ser de nuestros hermanos, não são apenas as matriculas diferentes que identificam os carros espanhóis, não é apenas o elevado número de ciclomotores, tão do agrado da juventude espanhola, que serpenteiam pelas ruas, é algo difícil de explicar que traça um larga barreira entre os dois povos e que acentua, porventura ainda mais, a nossa tristeza natural quando comparada com a exuberância dos nossos vizinhos do lado de lá do Guadiana.
O desenvolvimento económico que existe em Espanha e que consta das estatísticas da UE não é apenas meros números, é sentido por todos os portugueses que ali se deslocam.
No país nosso vizinho, o dinheiro rola a uma grande velocidade, dos empregadores para os empregados e destes para o pequeno e grande comercio - ali ganha-se bastante e gasta-se bastante. E todos parecem satisfeitos com a despreocupada facilidade com que, ao fim da tarde, por ventura terminado o dia de trabalho, talvez antes do regresso a casa, se sentam nas esplanadas e mesas das “tasquinhas” a beber uns copos e saborear as típicas tapas.

E se o nível de vida em Espanha é muito superior ao nacional, os preços de muitos produtos são altamente concorrenciais com os nossos.
Um deles dá pelo nome de gasolina. Não interessa agora porquê mas o diferencial entre as gasolinas – 95 octanas - dos dois lados da fronteira valia, em finais de Julho deste ano, cerca de 22 cêntimos.
Contas por alto indicam que qualquer turista num raio de sessenta quilómetros a partir de Vila Real de Stº António pode fazer uma viagem a Espanha, Ayamonte, à borla. Como? Basta para tanto encher lá, em Ayamonte, o depósito da viatura com cerca de trinta litros de gasolina. O ganho de 6.60 Euros dá, a preços espanhóis, para adquirir gasolina (7.68 litros) para fazer cerca de cento vinte quilómetros (a uma média de 6.5 litros).
Não pensem que achei o ovo de Colombo. Em determinadas alturas do dia os carros portugueses que atestam na primeira bomba de gasolina que se encontra ao chegar a Ayamonte suplantam largamente os dos espanhóis.
Ainda que de Espanha possam não vir bons ventos, vem com certeza “boa” gasolina e não só......

Publicado por vmar em 12:48 AM | Comentários (3) | TrackBack

agosto 05, 2004

O investimento da Justiça!

Há muito que se clama em Portugal por maiores investimentos na Justiça.
Desde juizes, a escrivães, passando pelos advogados ou simplesmente pelos queixosos, todos clamam por melhores condições para a justiça neste país.
O governo, talvez devido aos apregoados cortes orçamentais, não foi fazendo os investimentos necessários à rápida conclusão dos milhares de processos pendentes.
Ontem abriu os cordões à bolsa e tirou de lá 100 milhões para investir......na Bolsa.
Quem afirmou que a Justiça está de tanga....é mentiroso!

Publicado por vmar em 10:38 AM | Comentários (5) | TrackBack

Al-Gharb (1)

No sul do país, concretamente no Algarve, os empresários da hotelaria, a restauração e comércio em geral, assim como os particulares que alugam casas de veraneio às quinzenas, berram que não se vende e que os quartos e as casas ficaram por ocupar numa percentagem alarmantemente alta. A fazer fé no que ouvi na TV e nos lamentos que escutei “in loco”, a crise está instalada no sul do país e, inclusive, é maior que a do ano anterior. Nem o Euro2004 salvou a situação.

A crise é global mas as diferentes economias ressentem-se de maneira diferente perante situações similares, devido às infra-estruturas onde assenta a sua economia e às políticas que seguem os seus governos e o mundo empresarial.
Em vésperas do Euro2004 foi largamente noticiado que os preços na hotelaria e restauração deveriam sofrer aumentos na casa dos vinte cinco por cento. Era “normal” este acréscimo de preços, diziam alguns empresários, perante a envergadura do acontecimento desportivo e a procura que iria suscitar e, portanto, havia que tirar o melhor proveito dele.
Se, a nível desportivo e organizativo, o evento foi um êxito - nas palavras de dirigentes internacionais -, o mesmo não parece ter-se verificado em termos turísticos, nomeadamente na vertente hoteleira e da restauração, ainda que o saldo esteja longe de ser negativo.
Contudo isso são acontecimentos que já lá vão e agora, em plena época estival, os problemas do turismo deram à costa. O Algarve passou às primeiras páginas clamando por turistas e por receitas perante a fraca ocupação de camas em resultado do decréscimo de visitas, especialmente as oriundas do Reino Unido e Alemanha.
Sem entrar em polémicas de política económica, da qual não sou especialista, todos devem saber que o mundo, e a Europa em particular, se encontra em recessão ou no limiar da mesma e que a recuperação é ainda muito ténue – alguns advertem mesmo que esta é ainda uma miragem. Em termos simples, os europeus andam com falta de dinheiro, ainda que cá no nosso burgo o problema seja muito mais grave. Ora, perante a crise, a solução é simples: ou se riscam as férias no estrangeiro ou se arranja uma opção mais barata.
Como esta recessão não é de hoje nem de ontem, os nossos empresários deveriam estar precavidos contra este problema. Mas tal não aconteceu! De que é que estavam à espera? De algum milagre?
Ainda por cima, o nosso vizinho espanhol é um fortíssimo concorrente e a Espanha é o destino de milhões de veraneantes, inclusive já merecendo as preferências de largos milhares de portugueses.

Há alguns anos atrás, traçou-se como meta para a industria turística algarvia a aposta no turismo de qualidade. O resto não interessava nada, diziam os “entendidos”.
Esta opção não foi acompanhada dos necessários investimentos em acessos rodoviários locais, saneamento básico e outras infra-estruturas base, equipamentos balneares e todo o equipamento necessário ao turismo de qualidade. A simples limpeza das zonas balneares e circundantes deixava e deixa muito a desejar, já para não dizer que, nalgumas famosas praias algarvias, o areal tem uma concentração de pontas de cigarro e outras imundices que evidencia manifesta falta de limpeza. Assim onde iria assentar o turismo de qualidade? Nalgumas unidades hoteleiras? Apenas nas “Quintas do Lago”? E o resto das terras e praias algarvias eram o quê?
Algum tempo depois, em ano de forte queda de fluxos turísticos exteriores, os empresários foram obrigados a virar-se para os potenciais turistas nacionais. É assim neste país: quando a teta da vaca seca procura-se a da cabra. A aposta destes empresários está virada para o dinheiro chorudo das fortes economias estrangeiras mas, na falta deste, que remédio senão contentarem-se com os tostões do turismo nacional!...
Este ano a história parece repetir-se. Mas os tostões nacionais já tiveram melhores dias e não fosse a fama das delícias – ou pretensas delícias - de umas férias em terras do Al-Gharb, que faz as pessoas fazerem grandes sacrifícios para as puderam gozar, a crise estava definitivamente implantada nesta zona balnear do país.
A política turística em terras do Al-Gharb parece caminhar ao sabor do vento: entre a calmaria das suaves noites estivais, passando pelos fortes sopros das marés vivas de Setembro ou rodopiando entre os “vendavais” que periodicamente se abatem sobre o sul de Portugal.
A continuar assim não vamos lá e, no entanto, o modelo sustentável, que nos deveria servir de exemplo, está aqui bem perto. Refiro-me a Espanha.....

Publicado por vmar em 12:54 AM | Comentários (5) | TrackBack

agosto 04, 2004

Comissão de inquérito fantasma

Antes da nomeação da comissão de inquérito que irá avaliar as responsabilidades no recente incidente de Leixões era para ter sido nomeada uma outra comissão. Esta comissão iria identificar os pretensos réus e suas responsabilidades nos fogos que começavam a devastar Portugal este Verão. Era uma comissão de acompanhamento da situação e integrava-se no plano de prevenção e combate aos fogos para o ano corrente. Sem dúvida que tal nomeação era uma medida coerente perante a fogueira que se ateou em Portugal no ano transacto. Mas a dita comissão não chegou a nascer pois foi abortada aos primeiros sinais.

Qualquer iletrado identifica facilmente o grande responsável deste ineficaz plano de prevenção e combate aos fogos – o Estado. As palavras proferidas, o ano passado, pelo ministro responsável pelo sector de que seriam tiradas as devidas ilações perante a catástrofe verificada, foram ecos que o ventou levou. E já lá diz o ditado que quem com o fogo brinca, queima-se. O trágico, nesta brincadeira, é que quem brinca com o fogo não é quem se queima.
Perante a tragédia que, este ano, mais uma vez se abateu sobre o país, nem a solidariedade política aos colegas de partido permitiram isentar a maioria governamental de críticas ao que ficou por fazer na prevenção e nos meios preparados para o ataque às labaredas. Pouco se fez, não só a nível central como também a nível local, mas gastou-se muitos milhões, não se sabe é onde.

Os bombeiros debatem-se, cada vez mais, com problemas de meios técnicos, devido ao uso intensivo do material, pois nem têm recebido material que permita unicamente substituir o défice do que, em cada ano, vai ficando danificado e irreparável.
O desespero perante situações dramáticas tomou conta das populações, dos autarcas locais, dos bombeiros, da prevenção civil, etc. e as críticas começar a fazer-se sentir. E casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.
O dinheiro que não foi gasto na prevenção vai ser mais tarde gasto (multiplicado por n vezes), no combate às chamas e na reparação de alguns bens pessoais. Isto já sem falar no desastre ecológico, pois os danos à natureza são irreparáveis.
Se a política de terra queimada parece ser o objectivo de interesses obscuros que se movimentam na nossa sociedade, alguns dos nossos governantes parecem ser um dos aliados destes objectivos, tal a atitude irresponsável que assumem perante a gravidade dos acontecimentos e nas acções que desenvolvem para a solução dos mesmos.
Como se pôde constatar nos órgãos de informação, as populações puseram facilmente o dedo na ferida ao ressaltarem, por exemplo, a falta de aviões e meios materiais suficientes para o combate aos fogos - necessidades prementes - gastando-se milhões em submarinos nos quais poucos vêem alguma utilidade. Aqui coloca-se uma questão pertinente: quantos aviões se poderiam comprar com as verbas gastas nos últimos anos no seu aluguer? Que interesses se movem nesta política de aluguer?

Como no ano anterior já se tinha batido o suficiente nos bombeiros, ainda que com sucesso negativo, as hipóteses de fabricar este ano novos réus era diminuta. Como nenhum governo é suficiente masoquista para “arrear” nele próprio nem suficiente ingénuo para acreditar no “quanto mais me bates mais gosto de ti” não foi criada qualquer comissão de inquérito para levantamento de responsabilidades – ninguém acreditou ser possível encontrar qualquer “tótó” com costas suficientemente largas para carregar o pesadelo.
Portanto, não foi por má fé ou falta de empenho político que não foi constituída a comissão não sei quantos mil pós “25 de Abril” para averiguar factos , simplesmente um raciocínio elementar permitiu aos nossos brilhantes estadistas concluir que, fora da área governamental, seria difícil encontrar alguém onde bater.
Esta maioria no poder trata convenientemente dos nossos interesses, do nosso futuro e da nossa saúde futura, podeis estar certos; a coisa às vezes não nos parece transparente, por nossa culpa, não conseguimos ler o que eles não dizem, apenas retemos o que eles prometem.
Mas os portugueses continuam crentes.......à espera que numa manhã de nevoeiro.....alguém nos salve do fogo final.

Publicado por vmar em 10:29 AM | Comentários (6) | TrackBack

agosto 01, 2004

A meio gás (actualiz.)

Dizia eu que isto por aqui andaria a meio gás durante uns tempos....foi mais uma gaffe.....ou seja, nem uma gotinha de gás. O “gás” que faltou aqui acumulou-se todo nas florestas e arredores, e foi vê-la a arder com um “speed” que nem as promessas azedas dos anteriores ministros laranjas surtiram qualquer efeito na devastação que assolou Portugal nos últimos anos. O fogo tem sido tanto que, de Portugal, já só deve faltar “arder” a população, mas dessa parte encarregar-se-á o PSL e os seus capangas durante os próximos dois anos (será que eles e nós vamos aguentar tanto tempo?).
Voltando à vaca fria, este espaço, devido a problemas técnicos (a velha desculpa) e não só, ficou deserto durante vinte e três dias - de post, pois as visitas, ainda que com menor intensidade, foram acontecendo. A verdade é que o portátil, que trabalhou os últimos dez meses em Linux, recusou-se a pôr a trabalhar convenientemente o modem em Windows. Quando a sabedoria é pouca a máquina é que paga as favas - ainda que eu acredite piamente que a máquina tem sempre razão... É verdade que podia ter utilizado outra máquina durante alguns dias, mas o calor, a praia, o dolce farniente, a decisão do Sampaio, o novo governo, os fogos e....ah é verdade, a polémica, não me deram qualquer ânimo para um esforço adicional. Por isso as minhas sinceras desculpas a todos aqueles que por aqui passaram frequentemente em busca de novidades – ainda que haja por aqui muitos posts intemporais que podem merecer alguma atenção.
Mas também não quero criar falsas expectativas, este espaço não está normalizado – as férias ainda não acabaram e as “fogueiras” ainda não estão extintas.
Em síntese, estas linhas servem apenas para dizer que este espaço ainda não se extinguiu - por enquanto, convém ressaltar... - apesar das limitações da vida real e virtual. Assim, vai continuar, ainda que a um ritmo muito mais moderado, em grande parte pelo respeito que me merecem os meus leitores habituais, que me tem acarinhado de uma maneira que ultrapassou todas as minhas expectativas.
Um obrigado e até breve,

Publicado por vmar em 09:26 PM | Comentários (13) | TrackBack